Informática para Concursos: 10 Tópicos + Roteiro de 30 Dias
Informática para concursos é vilã? Veja os 10 tópicos mais cobrados e um roteiro de 30 dias para acertar 9 em cada 10 questões. Comece hoje!

Informática para concursos quase me custou uma aprovação no começo. No meu primeiro simulado, o que mais derrubou minha nota não foi Direito. Foram dez questões de Excel. Eu tinha relido o PDF na véspera e acertei quatro. Pior: tinha passado horas sublinhando fórmula, mas nunca respondi vinte questões seguidas da disciplina. O simulado mostrou que eu confundia familiaridade com domínio.
Dá para reverter isso em 30 dias, dedicando uma ou duas horas por dia. A questão não é estudar mais, é estudar na ordem de incidência e trocar a releitura por treino ativo. Vou mostrar os dez tópicos que mais caem, a ordem que usei e um roteiro semana a semana. Sem fórmula mágica e sem decoreba de véspera.
1. Por que informática dá a falsa sensação de matéria fácil: teoria não substitui o treino ativo
Informática carrega uma fama enganosa. Todo mundo usa Word, Excel e navegador no dia a dia, então o candidato parte do princípio de que vai bem. A prova, porém, não pergunta como você usa o Word no trabalho. Pergunta onde fica um recurso específico, qual atalho executa uma ação ou o que muda quando uma permissão de arquivo é alterada. Cobrança técnica, não funcional.
Deixar a disciplina para a última semana é um erro caro. Na minha preparação para o concurso de auditor fiscal, vi gente fortíssima em Português e Direito errar questão de atalho de Excel porque tinha lido o PDF uma única vez na véspera. A leitura gera familiaridade, não recuperação sob pressão.
Existe ciência para isso. Roediger e Karpicke, em estudo publicado na Psychological Science em 2006, mostraram que responder questões e fazer simulados, a chamada recuperação ativa, rende cerca de 50% mais retenção depois de uma semana do que apenas reler o material. Ler sustenta por um ou dois dias. Responder sustenta por semanas. Em informática, matéria cheia de caminhos e atalhos, essa diferença decide ponto.
Ainda existe a armadilha de seguir a ordem do curso: hardware, redes, aplicativos. A banca não segue o manual. Excel, segurança da informação e atalhos de Word e PowerPoint lideram a incidência. Quem estuda na ordem do sumário chega ao Excel no fim do mês, cansado, justamente quando deveria ter começado por ele.
2. Os 10 tópicos de informática para concursos que mais caem em provas (e o que exatamente estudar em cada um)
Montei a lista a partir do padrão histórico das principais bancas, Cebraspe, FGV, Vunesp e FCC, e da contagem que eu mesma fiz durante a preparação. Não é um catálogo de tudo que pode cair. É uma ordem de prioridade. Estude na sequência, porque o peso de cada bloco é diferente.
- Excel, fórmulas e funções: SOMA, MÉDIA, SE, CONT.SE, PROCX, referências absolutas e relativas como $A$1, mesclar células, ordenação e filtros. Cobrança clássica é o resultado de =SE(A1>10;”V”;”F”) quando A1 vale 15. Teste com o planilheiro aberto, não na cabeça.
- Excel, atalhos de navegação e formatação: Ctrl+Shift+L para filtro, Ctrl+T para tabela, Ctrl+1 para formatar célula, F4 para repetir a última ação ou fixar referência. Atalho se fixa na repetição, não na leitura.
- Word, formatação e referências: estilos, paginação, cabeçalho e rodapé, quebra de seção, nota de rodapé, mala direta, localizar e substituir. A FGV costuma explorar a diferença entre quebra de página e quebra de seção.
- PowerPoint, apresentação e modos de exibição: transição versus animação, F5, modo de exibição do apresentador e mestre de slides. A Vunesp pergunta o que acontece ao apertar F5 ou onde se altera o template.
- Segurança da informação, princípios e pragas: confidencialidade, integridade e disponibilidade; depois vírus, worm, trojan, ransomware, phishing e engenharia social. O Cebraspe vive cobrando a distinção entre worm, que se autorreplica, e trojan, que se disfarça.
- Segurança, backup e criptografia: backup completo, incremental e diferencial, criptografia simétrica e assimétrica, assinatura digital. A FGV monta cenários práticos, como um ataque que torna os dados inacessíveis e exige resgate.
- Redes, protocolos e portas: HTTP/HTTPS, SMTP, POP3, IMAP, DNS, FTP, IPv4 e IPv6. Pergunta comum é a porta padrão do HTTPS, a 443. Cebraspe troca uma palavra na assertiva para derrubar candidato desatento.
- Redes, equipamentos e topologias: roteador, switch e hub, endereço IP, máscara de sub-rede e gateway. Não é o bloco mais incidente, mas aparece com frequência em carreiras administrativas.
- Sistemas operacionais, Windows e Linux: permissões de arquivo no NTFS e no chmod, prompt de comando, gerenciador de tarefas e instalação de programas. Linux ganha peso em provas de tribunais e fiscal, e permissão é a maior pegadinha.
- Navegadores e nuvem: Google Chrome, guia anônima, extensões, sincronização, Google Drive e OneDrive. Cai menos, mas é rápido de estudar e costuma virar questão fácil.
Excel e segurança merecem mais tempo. Word e PowerPoint vêm logo atrás. Redes e sistemas operacionais depois. Navegadores e nuvem ficam para o fim.
3. A ordem certa para estudar informática antes do edital, do Excel/Word à segurança da informação
O curso começa por hardware. Depois vêm redes, sistemas, aplicativos e, por último, segurança. A prova costuma fazer o caminho inverso: aplicativos no topo, segurança em segundo lugar, redes e sistemas no meio. Hardware quase sempre sobra. Quem estuda na ordem do curso chega na reta final sem ter visto o que mais cai.
Quando percebi isso, inverti tudo. Passei a circular no edital os assuntos de maior incidência da banca e montei o esquema em quatro semanas. Primeira, Excel e Word, porque Word alivia a cabeça depois de tanta fórmula. Segunda, PowerPoint, segurança e navegadores. Terceira, redes e sistemas operacionais. Quarta, revisão pesada com questões e simulados.
O erro clássico é gastar dias em hardware porque o PDF dedicou sessenta páginas ao assunto. Hardware cai pouco e, quando cai, é básico: ROM, RAM, SSD, fonte. Uma hora resolve. Avance.
Outra coisa que aprendi na prática: as questões de informática se repetem. Depois de cinquenta questões de uma mesma banca, você enxerga os mesmos quinze atalhos de Excel e as mesmas dez funções. Isso reduz a ansiedade e aumenta a velocidade. Por isso, desde o primeiro dia, mantenha um registro de erros. Cada questão errada entra lá com o motivo do erro.
4. Roteiro de 30 dias para dominar informática para concursos, semana a semana, para quem tem 1h ou 2h por dia
Usei uma versão desse roteiro na minha preparação e é o que sugiro para quem tem prazo curto. A ordem não muda se você tem uma ou duas horas por dia. O que muda é o número de questões e a velocidade da teoria.
Para questões, recomendo plataformas como QConcursos ou TEC Concursos. Também dá para baixar provas antigas no site da banca. Assinar um serviço com comentários agiliza, mas começar de graça é perfeitamente possível.
Semana 1: Excel e Word (dias 1 a 7)
Nos dois primeiros dias, divida o tempo ao meio: uma parte de teoria e prática no Excel, com o programa aberto, e outra parte com dez a quinze questões. Com duas horas disponíveis, dobre o volume e feche com vinte minutos de revisão dos erros. Nos dias 3 e 4, a teoria cai para vinte minutos e o resto vira questão, perto de vinte. Nos dias 5 e 6, repita a estrutura com Word, focando formatação, referências e ferramentas de revisão. No dia 7, responda vinte e cinco questões intercaladas de Excel e Word.
Semana 2: PowerPoint, segurança e navegadores (dias 8 a 14)
PowerPoint ocupa os dias 8 e 9, com atenção a transições, animações, modos de exibição e mestre de slides. Nos dias 10 e 11, entre em segurança da informação: princípios, pragas digitais e backup. Nos dias 12 e 13, criptografia, assinatura digital, navegadores e nuvem. O dia 14 é de simulado com trinta questões, sem consulta.
Semana 3: Redes e sistemas operacionais (dias 15 a 21)
Nos dias 15 e 16, redes: protocolos, portas, equipamentos e topologias, com teoria enxuta e vinte a vinte e cinco questões. Nos dias 17 e 18, Windows e Linux, com atenção especial para permissões de arquivo. Os dias 19 e 20 voltam ao conteúdo das semanas anteriores, com trinta questões por dia. No dia 21, simulado de quarenta questões, sem consultar nada.
Semana 4: Revisão final e simulação (dias 22 a 30)
Os dias 22 a 24 são para atacar os três assuntos que mais apareceram no seu registro de erros. Refazer as questões e explicar o gabarito em voz alta funciona melhor do que reler o resumo. Nos dias 25 e 26, resolva questões da banca do seu edital. Nos dias 27 e 28, simule a prova: quarenta questões em quarenta minutos, com correção detalhada. Os dias 29 e 30 ficam só com resumos, caderno de erros e atalhos. Não estude nada novo.
5. O protocolo de revisão 3-7-15 com questões comentadas para eliminar o falso domínio
Ler e achar que sabe é o vilão mais silencioso da informática. Para eliminar isso, adotei o protocolo 3-7-15: reviso o conteúdo no terceiro, no sétimo e no décimo quinto dia depois do primeiro contato, sempre respondendo questões.
Funciona assim. Estudei Excel no dia 1. No dia 3, em vez de reler o resumo, resolvo dez questões de Excel. As erradas voltam para o caderno. No dia 7, faço quinze questões de Excel, incluindo as que errei no dia 3. No dia 15, resolvo vinte, misturando Excel e Word para forçar a troca de contexto.
O protocolo materializa aquele estudo que citei lá no começo. Recuperação ativa, e não releitura, é o que constrói memória de longo prazo. Em informática o efeito é ainda mais necessário: atalho não se fixa lendo Ctrl+Shift+L. Ele se fixa quando você precisa lembrar, durante uma questão que vale ponto, qual tecla aplica o filtro.
Um caso concreto: eu relia permissões de arquivo no Linux e achava que dominava. No simulado, errei a questão do chmod 644, porque não lembrava que o 6 significa leitura e escrita para o dono. Só depois de revisar no terceiro dia com questões de permissão é que o conceito grudou. Daquele ponto em diante, nunca mais perdi ponto nesse assunto.
O caderno de erros é parte obrigatória. Anote a questão errada, o motivo do erro e uma explicação com suas palavras. Na revisão seguinte, cubra o gabarito e responda de novo. Se acertar duas vezes seguidas, o tópico sai da lista de revisão ativa.
6. Como adaptar o roteiro se o edital cortar tópicos ou a banca for FGV, Cebraspe ou Vunesp
Se o edital do seu concurso não cobra redes, sistemas operacionais ou navegadores, ótimo. Você ganhou tempo. Em vez de manter a semana 3 como está, use esses dias para dobrar o volume de questões de Excel, Word e segurança. A prioridade continua sendo incidência, não carga horária do material. Menos assunto significa mais repetição no que realmente pesa.
Cada banca pede um tipo de atenção. O Cebraspe trabalha com certo e errado, e uma errada anula uma certa. Isso muda a postura: só marque o que tiver certeza. A banca adora inverter um verbo ou trocar um detalhe para tornar a assertiva falsa. Confidencialidade não é disponibilidade, worm não é trojan, SMTP não é POP3. Treine no formato certo e errado e leia cada afirmativa duas vezes.
A FGV constrói enunciados longos e contextuais. E-mails suspeitos, ataques de resgate, falhas de backup. Ela gosta de segurança da informação, backup e Word com pegadinhas de funcionalidade. Resolver provas antigas da banca é o caminho para se acostumar com o estilo.
A Vunesp é mais seca. Atalhos de Excel, Word e PowerPoint têm presença forte. Se o seu edital é dela, aumente o volume de questões de atalho e capriche na revisão espaçada, porque a cobrança costuma ser direta: o que faz Ctrl+Shift+L? Onde fica a opção de quebra de página?
A regra continua a mesma. Não mude a ordem de prioridade. Mude apenas o tempo dedicado a cada bloco.
Informática deixou de ser minha matéria de falso domínio para virar margem de segurança nas provas. Quando troquei a releitura por questões, meus acertos em informática saltaram de quatro para oito ou nove em cada dez nos simulados. Nenhum talento especial entrou na jogada. O que mudou foi o método: trinta dias priorizando Excel e segurança, respondendo questões todo dia e revisando no 3º, 7º e 15º dia. Isso vale mais do que três meses de leitura passiva. Se você já perdeu ponto para atalho de Excel ou permissão de arquivo, sabe do que estou falando.
Fontes consultadas
- Psychological Science (SAGE Journals) — Test-Enhanced Learning: Taking Memory Tests Improves Long-Term Retention — 03/2006 — link
- PubMed (National Library of Medicine) — Test-enhanced learning: taking memory tests improves long-term retention — 03/2006 — link
- ORM Systems — HTTPS Port Number | What Is Port 443? — link
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