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QConcursos Simulados Concurso: Como o Relatório me Aprovou

Simulados do QConcursos para concurso revelaram 43% de acerto na FGV e me aprovaram no ISS-SP. Veja como usar o relatório e o ciclo 3-7-15.

Foto: Nataliya Vaitkevich / Pexels

Simulados do QConcursos para concursos me acompanharam por quase dois anos, mas foi só em 02/03/2023, a duas semanas da prova do ISS-SP, que um relatório de desempenho me mostrou o tamanho do meu problema. Eu respondia 600 a 700 questões por mês, olhava o percentual do dia e me sentia produtiva. Naquele dia, porém, o número que apareceu na tela não tinha nada de produtivo: 43% de acerto na banca FGV, exatamente a banca do meu edital. Vou contar o que montei, o que o relatório revelou e o que fiz com isso. Não é fórmula mágica, é o que me levou à aprovação na área fiscal depois de passar em três concursos (dois deles nessa área).

O dia em que meu simulado do QConcursos virou diagnóstico

Duas semanas antes da prova do ISS-SP, montei um simulado que imitava o edital: banca FGV, disciplinas de Português, Raciocínio Lógico, Direito Constitucional, Direito Administrativo e Direito Tributário Municipal, 60 questões para 1h50. Usei o filtro de caderno personalizado, selecionei a FGV, o órgão Prefeitura de São Paulo e nível médio a difícil. Regra era uma só: simular a prova real, inclusive marcando as questões em que eu não tinha certeza.

Quando terminei, a média geral parecia ok: 61,7% de acerto. Eu sabia que não era brilhante, mas também não soava desesperador. Então abri o relatório de desempenho. A tela mostrou o acerto por banca: 72% na FCC, 68% na Cebraspe e 43% na FGV. O detalhe é que o meu edital era FGV. A média geral me enganou por semanas porque misturava questões antigas de bancas diferentes. No recorte que importava, eu estava péssima.

O relatório ainda me entregou o abatimento por assunto. Em Direito Tributário, meu acerto era de 33%, mas quando filtrei por Legislação Tributária do Município de São Paulo, caía para 22%. Na prática, eu achava que conhecia a matéria, mas não conhecia a forma como a FGV cobrava a lei municipal. Naquele dia, percebi que o problema não era volume de estudo, era leitura dos dados. Se eu continuasse tratando o QConcursos como esteira, passaria mais um ano sem evoluir.

Simulados do QConcursos para concursos: o caderno que montei para o ISS-SP

O caderno personalizado foi a virada de chave. No QConcursos, criei um caderno chamado ISS-SP 02/03, com o seguinte recorte do edital: Português com 15 questões de interpretação e reescrita de texto, Raciocínio Lógico com 10 questões de estrutura lógica e argumentação, Direito Constitucional com 10 questões de controle de constitucionalidade, Direito Administrativo com 10 questões de licitações e Direito Tributário Municipal com 15 questões de ISS e tributos municipais, separado do resto. Tudo com filtro FGV, órgão Prefeitura de São Paulo, nível médio a difícil.

O detalhe importante foi não misturar bancas dentro de um mesmo simulado. Cada banca tem um registro mental. A FGV adora textos longos e pegadinhas de interpretação. O Cebraspe usa a lógica de certo ou errado. A FCC cobra letra de lei. Se eu misturava tudo, o relatório virava uma salada e nenhum diagnóstico saía. Por isso, mantive dois cadernos paralelos: um só para FGV, outro só para Cebraspe, já que algumas provas da área fiscal alternam entre essas bancas.

Na configuração do simulado, ajustei o tempo em 2 minutos por questão. A prova do ISS-SP tinha questões de múltipla escolha com esse tempo médio, e eu precisava treinar tanto o conteúdo quanto a velocidade de leitura. Também ativei a opção de pular entre questões e voltar depois, porque na prova real é assim. Esse ritual de configuração levava 10 minutos, no máximo, e evitava que eu caísse na armadilha de responder qualquer questão que surgisse na tela.

Simulados do QConcursos para concursos: o que o relatório de 02/03 me mostrou

Depois do simulado, abri o relatório de desempenho clicando no caderno e fui direto em quatro números que aprendi a priorizar.

O primeiro, acerto por banca. A barra da FGV em Direito Tributário estava em 33%, enquanto a da FCC no mesmo assunto batia 70%. Isso não significava que eu não sabia a matéria, significava que eu não estava acostumada com o padrão FGV de cobrança. A diferença estava no estilo das questões: a FGV constrói uma narrativa longa e a pegadinha mora na interpretação do texto, enquanto a FCC costuma ser mais direta na letra da lei.

O segundo, abatimento por assunto. O relatório separava Direito Tributário em subitens. Quando filtrei, vi que Legislação do Município de São Paulo tinha 22% de acerto contra 48% em Sistema Tributário Nacional. Eu sabia a teoria, mas não conhecia as peculiaridades da lei municipal. Isso só apareceu porque o relatório quebrava a disciplina em pedaços.

O terceiro, tempo médio por questão. Em Raciocínio Lógico, eu estava gastando 3min40 por questão, quase o dobro do necessário. O relatório indicava que ali eu perdia o tempo que depois faltaria em Português. Passei a treinar RLM com cronômetro e a ler menos o enunciado.

O quarto, taxa de chute. Eu marquei 11 questões como “não tenho certeza” das 60. O relatório não calcula isso automaticamente, então eu anotava num bloco de notas. Quando a taxa de chute passa de 20%, o simulado mediu sorte, não preparação. Naquele dia, 18% estava no limite.

O número mais feio era o do Direito Tributário: 5 acertos em 15 questões, todas FGV. Eu lembro de olhar para a tela e pensar que, se aquela prova fosse no dia seguinte, eu teria sido reprovada exatamente na disciplina que mais pesava no edital. A média geral de 61,7% não contava essa história. Só o recorte por banca e assunto contava.

Da estatística à revisão ativa: o ciclo 3-7-15

O relatório aponta o problema, mas não resolve. O que transformou 33% de acerto em 78% três semanas depois foi a revisão ativa dos erros. Eu tinha uma regra simples: nem todo erro merece o caderno. Classificava cada questão errada em três categorias: erro de conteúdo, que vai para o caderno de erros; erro de atenção, que não precisa de caderno e sim de técnica de leitura; e chute malsucedido, que vai para o caderno com uma tag de prioridade.

Depois da classificação, usava a seção Meus Erros do QConcursos para criar um novo simulado só com as questões que errei. Fazia isso uma semana depois, daí o ciclo 3-7-15: reviso o erro no dia 3, depois no dia 7 e no dia 15. O QConcursos alimentava o ciclo com as questões exatas, e eu registrava as datas numa planilha feia e funcional. Nada de app sofisticado.

Na semana seguinte ao simulado de 02/03, montei um simulado de 30 questões apenas com as 22 que errei, todas FGV. O acerto subiu para 61%. Na outra semana, 78%. Não porque eu respondi mais, mas porque revisei com direção.

Os erros que ainda vejo em quem usa a plataforma

Depois de oito anos estudando e ensinando, vejo os mesmos erros se repetindo. O mais comum é o estudante que abre o app e responde dez questões de qualquer banca para manter a constância. O relatório mostra uma salada de cinco bancas diferentes, e o percentual global parece razoável, mas não significa nada. Outro erro clássico é ignorar o relatório por assunto. O estudante olha o topo da tela, vê 70% de acerto e não percebe que acerta 90% em Direito Constitucional e 30% em Direito Tributário. O relatório denuncia isso, mas é preciso abrir a aba certa.

Tem também o estudante que filtra a banca errada. Um caso comum é o candidato a concurso fiscal que usa questões da Vunesp de concurso municipal para treinar Direito Administrativo. Serve para conteúdo, é claro, mas não para estilo. Se a sua prova é FGV, o grosso do treino precisa ser FGV. O restante pode até ajudar, mas não pode ser a base.

O QConcursos não te aprova sozinho, e é por isso que eu confio nele

Minha posição é clara: o QConcursos é uma ferramenta de diagnóstico, não uma solução de aprovação. Quem responde centenas de questões sem abrir o relatório está acumulando métricas de vaidade. Quem responde menos, mas filtra por banca, revisa os erros no ciclo 3-7-15 e usa o relatório para decidir o que estudar, está fazendo o trabalho real.

Na minha preparação para o ISS-SP, reduzi o volume: cerca de 150 questões bem desenhadas por semana, em vez das 600 aleatórias do início. A aprovação, com 86,4 pontos na prova objetiva, não veio do número de questões respondidas. Veio de saber exatamente o que eu não sabia e atacar isso. O QConcursos me deu o mapa, mas eu precisei aprender a ler. Se você quer fazer o mesmo, comece pelo relatório, não pela esteira.

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