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Quanto Tempo Passar em Concurso Público: 3 Cronogramas Reais

Descubra quanto tempo passar em concurso público com base em horas efetivas, não em médias genéricas. Veja 3 cronogramas reais e aprenda a calcular seu

Foto: Fernando Capetillo / Pexels

Quanto tempo passar em concurso público é uma das perguntas mais comuns entre concurseiros, mas a resposta não é única. Na primeira aprovação, o percurso levou 11 meses. Na segunda, um concurso fiscal, levou quase o dobro disso, 20 meses, e não foi porque o edital era mais difícil. O motivo foi passar 8 meses estudando conteúdo novo quando já era hora de revisar o que já se sabia mal. Essa diferença de quase um ano entre um concurso e outro é o motivo pelo qual não se deve confiar em tempo médio de aprovação como régua para ninguém. Se você está começando agora, ou já está no segundo ou terceiro ano de estudo se perguntando se está atrasado, este texto serve para oferecer uma forma de calcular o SEU tempo, com base em horas efetivas de estudo por edital, não em meses de calendário, que é a unidade que mais engana concurseiro.

Quanto tempo passar: a pergunta que todo concurseiro faz primeiro (e o porquê de ela não funcionar)

Quase todo iniciante pergunta a mesma coisa: quanto tempo leva para passar? É uma pergunta legítima, mas parte de uma premissa furada: a de que existe uma resposta única, tipo 18 meses para todo mundo, que sirva para o concurso do Banco do Brasil, para uma prefeitura de cidade pequena e para Auditor Fiscal da Receita Federal ao mesmo tempo. Não existe. Um edital de nível médio para técnico administrativo, com 40 questões de conhecimentos gerais e específicos básicos, não tem nada a ver, em volume de conteúdo, com o edital da Receita Federal, que em 2023 tinha mais de 200 páginas só de conteúdo programático, com disciplinas como Direito Tributário, Contabilidade Avançada e Auditoria em nível de profundidade que exige mais de mil horas só para ver o conteúdo uma vez. Perguntar quanto tempo passar sem dizer qual cargo, qual banca e quantas horas por dia você consegue estudar com foco é como perguntar quanto custa uma viagem sem dizer o destino. A resposta existe, mas do jeito que a pergunta é feita, ela se torna inútil.

Como o tempo variou em três concursos diferentes

Uma planilha de estudo mantida desde 2014 permite mostrar números reais, não uma lembrança romantizada. No primeiro concurso, para analista administrativo de uma prefeitura, foram 11 meses e cerca de 950 horas totais, com apenas 120 horas de revisão ativa (13%). No segundo, para fiscal estadual, foram 20 meses e 1.900 horas, com 380 horas de revisão (20%). No terceiro, para fiscal federal, foram 14 meses e 1.600 horas, mas com 560 horas de revisão (35%). Observa-se um padrão: o segundo e o terceiro concurso eram da mesma área fiscal, com volume de conteúdo parecido. No entanto, o terceiro levou 6 meses a menos e exigiu praticamente a mesma quantidade de horas totais. A diferença inteira está na coluna de revisão ativa: de 20% para 35% do tempo revisando em vez de consumir conteúdo novo. Essa foi a lição mais cara tirada do segundo concurso, cara em meses, não em dinheiro.

Horas de estudo versus meses de calendário

Antes de qualquer cronograma, a pergunta correta é: quantas horas de estudo efetivo (com celular longe, sem distração, sem estudar enquanto lava louça) esse edital exige? Para um edital de nível médio simples, a estimativa fica entre 400 e 600 horas até o ponto de maturidade para prova. Para um edital de nível superior com 8 a 10 disciplinas, entre 900 e 1.300 horas. Para um edital fiscal ou de carreira jurídica de ponta, como Auditor da Receita, Procurador ou Delegado, entre 1.500 e 2.200 horas, já contando revisão. Agora a parte que muda tudo: se você estuda 1h30 por dia de forma realista (a maioria estuda menos do que acha), um edital de 1.000 horas leva quase 2 anos de calendário. Se consegue estudar 4 horas por dia com foco de verdade, o mesmo edital de 1.000 horas cabe em 8 meses. É por isso que perguntar quanto tempo passar em concurso público sem saber sua disponibilidade diária é pergunta sem resposta.

O erro que atrasou 8 meses no segundo concurso fiscal

No concurso fiscal estadual, os primeiros 8 meses foram gastos fazendo o que quase todo concurseiro faz: acumular aulas novas. Terminava Direito Tributário, ia para Contabilidade, terminava Contabilidade, ia para Auditoria. Sensação de progresso constante, porque a barra de conteúdo visto só crescia. O problema apareceu quando começaram os simulados completos, por volta do 9º mês. As questões de matérias estudadas 4 ou 5 meses antes estavam sendo erradas, não porque o conteúdo era difícil, mas porque nunca mais havia sido revisado. Ao comparar dois simulados da mesma banca, com 2 meses de diferença, o percentual de acerto em Direito Tributário, que era visto como ponto forte, caiu de 68% para 54%. Estava esquecendo mais rápido do que aprendendo coisa nova. Foi quando o cronograma mudou: parou-se de abrir matéria nova por 6 semanas, usando esse tempo só para revisão ativa e resolução de questões das disciplinas já estudadas. O percentual de acerto em Tributário voltou para 71% em um mês e meio. Foi o sinal mais claro de que o problema não era estudar mais horas, era estudar as horas certas.

Como estimar o tempo real, cargo por cargo

Uma fórmula simples: pegue o edital e conte as disciplinas e o peso de cada uma no total de questões. Estime horas por disciplina usando referência de dificuldade: disciplinas de decoreba (Português, Raciocínio Lógico básico) costumam levar de 60 a 100 horas para maturidade; disciplinas técnicas pesadas (Direito Tributário, Contabilidade, Auditoria, Direito Constitucional aprofundado) levam de 150 a 250 horas cada. Some tudo e adicione 30% do total só para revisão. Divida pelo número real de horas que você estuda por dia com foco, sendo honesto: se você diz que estuda 3 horas mas na realidade são 3 horas com WhatsApp aberto, conte 1h30. Um exemplo prático: cargo de Analista Judiciário, edital com 9 disciplinas, estimativa de 1.100 horas totais com revisão incluída. A pessoa conseguia estudar de forma realista 2 horas por dia durante a semana. Conta simples: 1.100 dividido por 2 = 550 dias, cerca de 18 meses. Sem essa conta, ela achava que devia levar uns 8 meses, porque foi o que um colega de grupo de WhatsApp levou, colega que estudava 5 horas por dia. Ferramentas como planilha de controle de horas (no Google Sheets) e um app de revisão espaçada tipo Anki para matérias de decoreba ajudam. Não é sobre ferramenta bonita, é sobre ter o número real na sua frente.

Sinais de que você está estagnado

Um caso comum: um aluno no terceiro ano de estudo para carreira fiscal chegou com medo de desistir, achando que 3 anos já era tempo demais e que isso significava falta de perfil para passar. Na análise de horas efetivas, e não de anos corridos, descobriu-se que ele tinha estudado cerca de 900 horas em 3 anos (uma média de menos de 1 hora por dia, com meses inteiros sem tocar em determinadas disciplinas). Para o cargo dele, a estimativa era de 1.700 horas necessárias. Ele não estava demorando demais em anos, estava simplesmente longe de completar as horas necessárias, camufladas por 36 meses de calendário. Os sinais reais de estagnação não são “há quanto tempo estudo”. São: percentual de acerto em simulado estável ou caindo mesmo estudando; revisão de cada matéria uma vez a cada 4 meses ou mais; incapacidade de dizer, sem planilha, quantas horas estudou no último mês. Se dois desses três soarem familiares, o problema não é o calendário, é o método. Depois de anos vendo isso de perto, a conclusão é esta: pare de perguntar quanto tempo leva para passar em concurso público como se fosse uma sentença externa. Pergunte quantas horas o seu edital exige e quantas horas você realmente entrega por dia. O resto é aritmética, e aritmética não mente.

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