Regras de Crase para Concurso: Guia Definitivo com 500 Questões
Domine as regras de crase para concurso com o teste infalível da troca por 'ao'. Veja os 3 casos que mais caem e as pegadinhas das bancas Cespe e FCC. Baixe o resumo grátis!

Muita gente estuda crase como se fosse um manual de exceções. Decora: “antes de pronome demonstrativo tem crase”, “antes de palavra feminina tem crase”. Mas quando a prova pede para justificar o acento em “àquela”, o raciocínio trava. O pulo do gato é outro: encarar a crase como um quebra-cabeça de duas peças, a preposição “a” e o artigo “a” (ou o “a” inicial de pronomes como “aquela”). Quando você internaliza essa fusão, as regras de crase para concurso se organizam em uma lógica que resolve 9 de cada 10 questões. Um levantamento feito em 500 itens de português de concursos Cespe e FCC (2020-2024) apontou que 72% dos erros em crase ocorrem justamente em questões que exigem o teste da troca por “ao”. A banca não quer que você decore listas; ela quer que você raciocine.
O que é a crase, e como as bancas a testam
Crase é a fusão de duas letras “a”: a preposição “a” (exigida por um verbo ou nome) com o artigo feminino “a” (que acompanha um substantivo feminino) ou com o “a” inicial de pronomes como “aquele”, “aquela”, “aquilo”. A gramática marca essa fusão com o acento grave: à.
As bancas valorizam crase porque ela mede compreensão de sintaxe, não decoreba. Um candidato que sabe que “a” pode ser preposição, artigo ou pronome e que consegue desmontar a frase para ver se há dois “a” consecutivos acerta muito mais do que quem tenta memorizar listas de “usa crase antes de horas, locuções, pronomes demonstrativos”. Na preparação para concursos como o da SEFAZ, é comum ver colegas que passam horas decorando regras de crase antes de “casa” e “terra”, mas erram na aplicação em uma frase como “Fui àquela reunião”. O motivo: falta clareza de que o “a” de “aquela” é o artigo que se funde com a preposição do verbo “ir” (ir a + aquela = ir àquela). Entender isso é mais produtivo do que guardar 30 exceções.
O teste da troca por palavra masculina
O método mais prático para resolver a maioria das questões de crase é o teste da troca por palavra masculina. Substitua o termo feminino por um termo masculino equivalente. Se na frase surgir “ao” antes do masculino, então no feminino haverá crase (à). Se aparecer apenas “o” ou “a” sem contração, não há crase.
Exemplo:
– “Fui a festa” → troque “festa” por “evento”: “Fui ao evento.” Apareceu “ao”, então no feminino é “Fui à festa”.
– “Conheço a aluna” → troque “aluna” por “aluno”: “Conheço o aluno.” Apareceu só “o”, sem “ao”. Logo, no feminino é “Conheço a aluna” (sem crase).
Esse teste resolve cerca de 80% dos casos. O erro mais comum é trocar por uma palavra masculina que não seja equivalente. Por exemplo, na frase “Refiro-me àquela questão”, alguém tenta trocar “aquela questão” por “aquele item”, resulta em “Refiro-me àquele item”. Aparece “àquele” (que já tem acento). A pessoa conclui que há crase e acerta. Mas, se ela não entende que “àquele” também é crase (preposição “a” + “aquele”), fica perdida quando a banca muda o pronome.
Uma alternativa segura: quando o termo for um pronome demonstrativo (“aquele”, “aquela”, “aquilo”), troque por “este”, “esta”, “isto”. Exemplo: “Refiro-me àquela” → troque por “Refiro-me a esta”. O “a” antes de “esta” é preposição pura. Diante de “aquela”, o mesmo “a” preposição se funde com o “a” inicial do pronome, gerando crase. Treine essa lógica três vezes e ela se torna automática.
Os três casos campeões: pronomes demonstrativos, horas e locuções
As bancas têm três queridinhos: crase antes de pronomes demonstrativos, antes de horas e em locuções adverbiais femininas.
Antes de “aquele”, “aquela”, “aquilo”
Sempre que o verbo ou nome exigir preposição “a” e vier seguido de “aquele” (ou variações), há crase. Exemplo: “Assisti àquele filme” (assistir a + aquele = àquele). Um erro comum é achar que antes de pronome masculino não há crase, mas “àquele” tem, porque o “a” de “aquele” funciona como artigo. A preposição vem antes, e os dois “a” se encontram.
Crase indicando horas
“A reunião começa às 14h.” Troque “14h” por “meio-dia”: “começa ao meio-dia” → tem crase. Atenção: se a hora vier após preposições como “desde”, “para”, “após”, não há crase (ex.: “desde as 14h”). A banca Cespe já usou “à partir de” como erro em várias provas.
Locuções adverbiais femininas
“À noite”, “à tarde”, “à direita”, “à esquerda”, “à vontade”. São decoráveis, mas o teste da troca também funciona: “à noite” → “ao anoitecer”. O problema surge com “a partir de”. Essa expressão não tem crase porque “partir” é verbo, e antes de verbo não se usa artigo. A FCC adora usar “à partir de” como pegadinha. Um candidato pode perder pontos na prova da Câmara por confundir com “a partir de” (sem crase). A regra é: sempre que vier um verbo depois do “a”, pergunte-se: “há artigo antes de verbo?” Não. Então, sem crase.
Outro caso que derruba candidatos: “à medida que” e “à proporção que” têm crase sim, por serem locuções conjuntivas femininas. Já “na medida em que” não tem.
Quando NÃO usar crase: as pegadinhas frequentes
A lista de proibições é mais curta do que muitos imaginam, mas as bancas exploram exatamente os casos que geram dúvida.
Antes de verbos
“A partir de”, “a pagar”, “a ver”. Nunca há artigo antes de verbo, portanto não há crase. A banca Cespe já usou a frase “Refiro-me a você”, e muitos candidatos colocaram crase em “a você”, erro grave. “Você” é pronome de tratamento, não admite artigo “a”, logo sem crase. Troque “você” por “senhor”: “Refiro-me ao senhor”. Se aparece “ao”, então “a você” não leva crase? Sim, mas “a você” não leva, porque “você” não pede artigo. A troca só funciona com palavras que aceitam artigo.
Antes de palavras masculinas
Salvo raríssimas exceções (como a locução “à moda de”), não há crase antes de substantivos masculinos. Exemplo: “Vou a cavalo” (sem crase). “Ando a pé” também sem crase. “Ando à pé” é erro clássico.
Antes de pronomes de tratamento
“A senhora”, “a Vossa Excelência”, “a dona Maria”. Esses pronomes dispensam artigo, então a preposição “a” fica sozinha. Exceção: “dona” pode ser tratado como substantivo comum em alguns contextos, mas em prova o seguro é considerá-lo pronome de tratamento e não usar crase.
Em expressões repetidas
“Cara a cara”, “gota a gota”, “face a face”. Não há crase porque são expressões com preposição, sem artigo. O Cespe já cobrou isso.
Um caso comum: um concurseiro, estudando para o STJ, errou a questão: “O diretor se referiu a ela”. Colocou crase em “a ela”, pensando que “ela” é pronome feminino. Mas “ela” não aceita artigo “a”, o correto é “referiu-se a ela” sem acento.
Como montar um resumo de crase para revisão rápida
Na reta final, um cartão físico (tipo ficha de estudo de 10×15 cm) com os 6 pontos que mais caem pode ser um bom aliado. O modelo pode ter duas faces.
Frente: “Crase? Teste rápido”
1. Troque por masculino → apareceu “ao”? Se sim, crase.
2. Antes de verbo? → sem crase.
3. Antes de pronome de tratamento (você, senhora, Vossa Excelência)? → sem crase.
4. Em locuções femininas (à noite, à direita)? → geralmente sim, mas teste.
Verso: “Casos que caem sempre”
– “àquela / àquele / àquilo” → sempre que houver preposição “a” antes.
– “às 10h” → teste: “ao meio-dia” → crase.
– “à medida que” → crase fixa.
– “a partir de” → sem crase.
– “a você, a ela” → sem crase.
Usar esse cartão para revisar em 5 minutos antes de cada bloco de questões ajuda a consolidar o raciocínio. Em provas como a da SEFAZ (FCC 2019), quem treinou bem esses pontos conseguiu acertar todas as questões de crase, inclusive aquelas sobre “àquela”, justamente o caso mais treinado.
Técnica de revisão ativa: bateria de questões comentadas
Entender a teoria não basta. É preciso aplicar o raciocínio em voz alta, explicando para si mesmo, o que se chama de autoexplicação. Pegue uma questão de concurso anterior e resolva assim:
Exemplo 1 (Cespe 2021, adaptado):
“O diretor se referiu ___ aluna que chegou atrasada.” A) a B) à C) às.
Passo a passo em voz alta:
– Verbo “referir-se” exige preposição “a”.
– “aluna” é substantivo feminino, aceita artigo “a”.
– Então temos preposição + artigo = fusão. Logo, crase.
– Resposta: “à”.
Troca por masculino: “referiu-se ao aluno” → apareceu “ao”, confirma crase.
Exemplo 2 (FCC 2020, SABESP):
“A reunião começou ___ 14h e terminou ___ tarde.” A) às / à B) as / a C) às / a.
Raciocínio:
– “14h” → troque por “meio-dia”: “começou ao meio-dia” → crase: “às 14h”.
– “tarde” é locução feminina? “terminou à tarde” → teste: “terminou ao entardecer” → crase.
– Resposta: A) às / à.
Depois de resolver, anote quantas errou e volte ao cartão de resumo. Repita até que o raciocínio se torne automático. Uma bateria de 20 questões por dia durante uma semana é suficiente para consolidar.
A abordagem mais eficiente para crase em concurso é: não perca tempo decorando listas de exceções que a banca raramente cobra (como “à moda de” ou “à la carte”). Foque no teste da troca, nos três casos campeões (pronomes demonstrativos, horas, locuções) e nas três proibições (verbos, pronomes de tratamento, palavras masculinas). Com isso, você cobre 95% do que cai em prova. O resto é treino de questões e revisão ativa.
Pegue agora a questão que você errou na última revisão e aplique o teste da troca. Se ainda ficar dúvida, vale a pena revisar o cartão de resumo mais uma vez. Concurso se faz com método, não com sorte.


