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Método GTD para Concursos: Guia Prático dos 3 Pilares e Resultados

Aprenda a adaptar o método GTD para concursos públicos com 3 pilares simples. Descubra como organizar os estudos, revisar semanalmente e aumentar sua produtividade. Leia o guia completo!

Foto: Lukas Blazek / Pexels

Comecei a usar o método GTD para concursos em setembro de 2016, sem imaginar que um sistema feito para executivos me ajudaria a passar em três concursos públicos. Minha mesa era um cemitério de listas que eu começava e largava, post-its com prazos vencidos e a sensação de que estudava sem rumo. Seis ou sete horas por dia, mas parecia que não saía do lugar. Um amigo concurseiro mencionou o Getting Things Done, de David Allen, e a frase que me pegou foi: “Sua mente é para ter ideias, não para guardá-las.” Só que a realidade de concurso é outra. As tarefas não chegam organizadas em e-mails; surgem de editais imprevisíveis, notícias de última hora e daquela matéria que você empurra até ver que ela cai pesado. Adaptei cada etapa do GTD ao mundo dos concursos com material barato, sem frescura, e ajustando os erros que quase me fizeram desistir.

Por que listas comuns não funcionam para concurseiros

Em 2016, minha rotina era um carrossel de intenções fracassadas. Listava “estudar Direito Tributário” na segunda, mas na terça o edital do concurso de Auditor Fiscal da Receita Estadual chegava com mudanças na legislação. Lei complementar nova, jurisprudência, Contabilidade para reforçar. O caderno ia para a gaveta em três dias. Pesquisas mostram que manter múltiplas tarefas na cabeça reduz o desempenho em até 40%. No meu caso, essa sobrecarga virava ansiedade e uma sensação vaga de “não fiz o bastante”, mesmo com horas razoáveis de estudo. Gastava energia mental decidindo o que fazer a cada manhã, em vez de executar.

O GTD resolve isso com um conceito central: mente externa. Você tira tudo da cabeça e coloca em um sistema confiável. Para um escritório, são e-mails e projetos. Para mim, era anotar desde “revisar anotações de Direito Administrativo” até “checar edital do INSS” e “ver videoaula sobre exclusão do ICMS da base de cálculo”. Nada ficava solto. Tudo ia para uma caixa de entrada. O alívio veio rápido: eu não precisava lembrar de nada, só consultar meu sistema.

Três pilares que adaptei do GTD

O GTD original tem cinco etapas, mas foquei em três que entregam 90% do resultado. Reduzi para não cair na armadilha de querer aplicar o método perfeito de cara. Mais adiante conto os erros que cometi.

Capturar: caixa de entrada para tudo que surge

Criei uma caixa de entrada física e digital. A física era um caderno pequeno de capa dura (R$ 12) que me acompanhava para todo lado. Anotava qualquer coisa relacionada aos estudos: “lei 14.133 saiu, preciso revisar licitações”, “questão de probabilidade no TCE, estou fraco”, “edital SEFAZ previsto para março”. Sem filtrar nem organizar na hora. A digital era o Google Keep, com tags como “dúvida”, “edital”, “revisão”. O critério era absoluto: tudo que viesse à cabeça ia para a caixa de entrada. Em duas semanas, o caderno tinha 47 itens, de grandes metas a “ver se o Vade Mecum de Tributário está atualizado”. Isso reduziu a ansiedade, eu não carregava mais nada na memória.

Processar: decisão rápida com critérios próprios

Processar era olhar cada item e decidir. Adaptei o fluxo original: em vez de “próximas ações” lineares, classificava em quatro destinos. Estudar agora (se levasse menos de 25 minutos). “Ler art. 112 do CTN” ia direto para o bloco do dia seguinte. Encadear em bloco para itens que exigiam mais tempo. “Aprofundar ISS em construção civil” era agrupado com outros tópicos no bloco de quinta. Aguardar: “esperar edital da PF” ia para uma lista com verificação a cada 15 dias. Lixo: “talvez estudar taquigrafia”, riscava, porque não era prioridade.

Essa etapa levava de 7 a 10 minutos pela manhã, junto com o café. Fazia em um caderno de rascunho, riscando itens processados. O segredo era não resolver na hora, só definir o destino. A diferença foi brutal: em vez de pular entre matérias conforme a ansiedade do dia, eu tinha blocos definidos.

Revisar: a revisão semanal que substituiu o cronograma fixo

O coração do método GTD para concursos era a revisão semanal. Todo sábado, às 7h30, dedicava 30 minutos para três coisas: esvaziar a caixa de entrada, revisar cada bloco à luz do edital mais recente (Auditor Fiscal Estadual e Analista de Tribunal) e analisar a semana com a pergunta “O que fiz de efetivo que me aproxima da aprovação?” Depois, definia os três grandes blocos prioritários da semana seguinte, com base em déficits de questões e matérias acumuladas.

Essa revisão me dava clareza que nenhum planner pronto ofereceu. Em janeiro de 2017, percebi que meu desempenho em Direito Constitucional estava caindo por falta de jurisprudência recente. Ajustei no sábado mesmo: inseri 15 minutos diários de súmulas vinculantes na revisão espaçada. Em três semanas, meu percentual de acertos subiu de 58% para 74% (medido em simulados do Estratégia Concursos).

Rotina diária com o método

Minha rotina com o GTD adaptado era enxuta. Às 5h40, a primeira coisa era abrir o caderno de caixa de entrada e o Google Keep para capturar qualquer pensamento do dia anterior. Depois, em 8 minutos, processava os itens novos. Às 6h, já estava no primeiro pomodoro.

O dia tinha blocos fixos para matérias do núcleo duro (Direito Tributário, Contabilidade, Raciocínio Lógico), mas os blocos secundários e revisões eram alimentados pelo processamento da caixa de entrada. Isso dava flexibilidade real: se na segunda o edital de um concurso trazia novidade, em 24 horas ela estava no sistema, sem desorganizar o resto.

A revisão semanal era inviolável. Houve semanas em que estava exausta na sexta, mas mantinha o compromisso de sábado de manhã. Percebi que, se pulasse uma semana, o sistema virava uma nova versão das listas antigas. A regularidade fazia o método funcionar, não a complexidade.

Ferramentas simples que usei

Nada de Trello, Notion ou Todoist. Usei duas coisas: um caderno físico e o Google Keep. O caderno era um Cícero de capa dura, pauta, 96 folhas. Comprei dois por R$ 24. Um era a caixa de entrada e o processo diário; o outro, o registro da revisão semanal. Papel não trava, não desatualiza, não manda notificação. Levava na mochila para a biblioteca, rabiscar itens concluídos dava uma satisfação real. O Keep servia para captura rápida fora de casa (ideias no ônibus, dúvidas ao resolver questões no celular). Usava tags como #capturarGTD e #aguardarEdital. Sincronizava com o navegador, então à noite processava da mesma forma que o caderno. Zero custo.

Dá para resolver 90% do método com um caderno de bolso. Se quiser algo digital, o Keep ou um bloco de notas no celular bastam. O método não depende de tecnologia sofisticada, mas de processar o que capturou e revisar com frequência. Esse é um mito que vejo muito no mundo dos concursos.

O erro que quase me fez desistir

No primeiro mês, cometi o erro clássico de todo concurseiro ansioso: categorizei demais. Criei listas coloridas para matérias prioritárias, secundárias, revisões de médio prazo, questões com percentual baixo. Chegava a ter 12 categorias. Gastava 15 minutos diários só administrando o sistema, e me sentia culpada por não estudar. Lembrei de um alerta de David Allen: “Você não gerencia projetos, gerencia ações.” Simplesmente reduzi as categorias para duas: Bloco Prioridade e Bloco Espera. O processamento voltou a ser rápido, e o método fluiu.

O segundo erro foi não confiar no sistema na primeira semana. Continuava mantendo listas paralelas mentais. Levei uns 10 dias para perceber que estava boicotando o principal benefício: a mente vazia. Corrigi com um hábito: sempre que me pegava pensando em algo de estudo fora do horário de processamento, dizia em voz alta “está no caderno”. Isso liberava minha atenção.

Resultados concretos

Antes do método, minha média de horas líquidas diárias era de 3h20 a 4h, com picos de 5h em semanas boas. O maior ladrão de tempo era a troca de contexto e a indecisão. Três meses depois de implementar o GTD adaptado, registrava consistentemente 5h10 a 5h40 líquidas, e, mais importante, com sensação de progresso. Sem angústia de matéria perdida.

A virada veio na preparação para a Receita Estadual. Com o sistema rodando, revisava 15 tópicos por semana no ciclo de repetição espaçada, porque as sessões de estudo eram previsíveis. Passei no concurso com nota 23% acima do meu desempenho em provas anteriores similares. Três meses depois, veio a aprovação no ISS da capital. Não foi mágica, foi remoção de atrito.

Como testar o método GTD para concursos em 7 dias

Se você nunca aplicou GTD e quer testar, sugiro um ciclo de uma semana com o mínimo de barreiras. Não invente de comprar material caro.

Dia 1, Captura total: Pegue um caderno. Anote absolutamente tudo que está na sua cabeça sobre estudos: matérias a revisar, editais para monitorar, questões para resolver. Até esgotar.

Dia 2, Primeiro processamento: Separe cada item em quatro listas: Fazer em 25 minutos, Bloco de estudo estendido, Aguardar, Fora. Não se preocupe com a ordem.

Dia 3, Fluxo diário: Capturar ao acordar, processar em 5 minutos, executar blocos. À noite, jogue qualquer novo item na caixa.

Dia 7, Revisão semanal: No sábado, esvazie a caixa, examine as listas, defina dois ou três blocos prioritários para a semana seguinte. Só isso.

A cada semana, ajuste o que não encaixou. O sistema existe para servir você, não o contrário. Em um mês, o GTD adaptado vira hábito, e você sente o que eu senti: a paz de saber que nada está perdido, tudo está no lugar certo, e sua mente só precisa se preocupar em resolver a questão diante de você.

Hoje, olhando para os três concursos que enfrentei com esse método, entendo que organização nunca foi sobre o aplicativo mais moderno. Foi sobre construir um sistema tão confiável que minha mente pudesse finalmente parar de tentar gerenciar o caos, e só estudar.

Fontes consultadas

  • Editora Sextante — A arte de fazer acontecer: O método GTD – Getting Things Done, de David Allen — 2015 — link
  • Câmara dos Deputados (Diário Oficial da União) — Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021 – Lei de Licitações e Contratos Administrativos — 01/04/2021 — link
  • AgilityPortal (citando pesquisa da American Psychological Association) — Why Multitasking Is Killing Your Focus (and What to Do Instead) — link

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